O processo de urbanização acelerada da maioria dos grandes centros urbanos fez surgir crescentes conflitos viários. Decorrentes, dentre outros fatores, da imperícia humana devido à má capacitação, os acidentes de trânsitos têm produzido problemas irreversíveis para inúmeras famílias no Brasil e no mundo. Frequentemente, milhares de pessoas são acometidas desde uma simples lesões a casos de óbitos. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN (2009) morreram 32.465 pessoas em 2008 vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Nesse sentido, estima-se que morre um brasileiro a cada 16 minutos vítimas do trânsito. Neste mesmo ano, para cada cem acidentes com vítimas, cerca de 4 pessoas vieram a óbito somente nas capitais brasileiras.
É dessa forma que constantemente a imperícia no trânsito tem sido fonte de inúmeros problemas para os gestores públicos. Atualmente, os acidentes viários respondem por boa parte das internações hospitalares, [...] além de gerar altos custos ao sistema de saúde, perdas materiais, despesas previdenciárias e grande sofrimento para vítimas e familiares (SILVA et al, 2008). Envolve, além disso, custos com o resgate, assistência hospitalar, reabilitação, perda de produção, gastos previdenciários, danos a terceiros, administração de seguros e suporte de agentes de trânsito. Ainda de acordo com Silva et al (2008), a grande maioria desses pacientes é jovens, o que representa para o país o ônus da perda de valiosos anos de vida produtiva.
A capital de Tocantins, Palmas, foi criada com objeções de cidade contemporânea. Todavia, sua formação foi marcada por uma expansão urbana acelerada na década de 90, a qual fez surgir inúmeros problemas sociais no seu interior, dentre eles, problemas viários. A cidade apresenta traços relativos ao desenvolvimento econômico e social que são típicos da grande maioria dos municípios urbanos brasileiros de médio e grande porte. Apesar de a cidade ser considerada planejada, com condicionantes favoráveis ao bom fluir do trânsito, as estatísticas têm demonstrado um cenário preocupante, que a cidade possui um dos trânsitos mais violentos do país.
Palmas tem amargado posições de destaque no ranking nacional das capitais com maior número de vítimas de acidentes de trânsito. Em 2008, a cidade respondeu por 11,6% dos acidentes com vítimas para cada cem mil habitantes do total das capitais brasileiras, só superada por Porto Alegre e Porte Velho (14,2%) (12,5%), respectivamente. Ela ocupa essa mesma posição quando o assunto é mortes envolvendo motocicleta ou mortalidade do ocupante do veículo. Do total de óbitos no trânsito, 50% são condutores de moto, enquanto que essa mesma média para as demais capitais é de apenas 36.41%. A figura a seguir dispõe um detalhamento da incidência de acidentes fatais para o ano de 2008.
Essa problematização agrava a situação dos gestores públicos, pois a dificuldade de obtenção de respostas favoráveis às iniciativas de prevenção desses conflitos pouco tem se alterado atualmente, de forma que a cidade mantém-se entre uma das capitais com o trânsito mais violento. Em geral, a falta de educação qualificada para o trânsito combinada com avenidas largas que exprimem um ar de liberdade e consequentes altas velocidades têm justificado boa parte dos acidentes no município.
Por: Prof. Msc. Marcleiton Morais









